Tá tudo errado

Não sei se é sonho ou pesadelo fechar os olhos e te ver todas as noites. Estar contigo e estar feliz, como costumava ser. É quase uma forma de matar a saudade… mas eu não gosto de acordar para a realidade. A realidade onde eu não posso te amar, não posso te querer, preciso resistir. Tá tão errado isso tudo que eu não sei nem por onde começar. É impossível repelir esse amor, é impossível acordar para um mundo sem você. Mas o mais impossível é aceitar e entender que no teu mundo não tem lugar para mim. Se esse é o certo, por que eu não me conformo? Se isso é para o bem, porque eu ainda choro? Se o meu amor não foi correspondido, por que então todas aquelas palavras? Por que, por que, por que? Eu nunca vou sossegar assim, sem ter as minhas respostas. Não pode ser que isso seja o certo. Não quando eu me sinto tão errada. Não pode ser que para você isso seja tão fácil, não pode ser que você também não tenha que resistir. Nada disso pode ser, porque se é, então eu estava sim enganada o tempo todo. Me enganei há um ano atrás, quando decidi te amar, quando abri meu coração, em vez de fazer o certo e fechar. Fechar para tudo isso. O que adianta você querer que eu feche agora? O que adianta você querer que eu esqueça agora? Agora é tarde. É tarde demais para você sair. Não é justo você precisar de um tempo sem mim para saber se me quer, quando eu tenho e sempre tive certeza de querer você. Não é justo eu sonhar com isso. Não é justo eu chorar por isso. Não é justo eu me segurar aqui, quando todos os músculos do meu corpo gritam para eu lutar. Cada parte de mim te deseja de volta. E isso não é justo. Nada disso é justo. 

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A gente

O jeito que você não me olhava, o jeito que você não me tocava. Os lugares que a gente não ia, os beijos que a gente não dava. O abraço sem resposta, a noite sonolenta… Os carinhos em vão, as palavras não ditas, e as palavras ditas e repetidas. A paixão não resolvida, a paixão que não existia. A dúvida. A eterna dúvida. A cartas que você não escreveu, as datas que a gente não lembrou, o tempo que nos desgastou. A mão deixada sozinha, o choro abafado. O choro exposto, e o choro que você não via, mas que molhava o seu travesseiro. Os elogios que eu não escutei, os elogios que eu fingi não dar. Os ciumes que eu senti, e os ciumes que eu esperei você demonstrar. O meu sentimento de ser invisível. Para você, para os outros. As surpresas que eu te fiz, e as surpresas que eu não recebi. A saudade que tu não sentia, e a saudade que tu ainda não sente. A vontade de me ter, que não existe. 

É isso que dói, é isso que sempre doía. O amor que eu sempre esperei, e não vinha. Mas dói também o jeito que você me olhou, o jeito que você me tocou. Os beijos que a gente deu, o abraço que sempre me segurou. As noites acordados, conversando no escuro. Se amando no escuro, e no claro. O seu carinho no meu rosto, no meu cabelo. A paixão, que já existiu. A dúvida respondida. As cartas que você não gostava de escrever, mas escrevia. A data que a gente lembrou, comemorou, jantou junto à luz de velas. O tempo que a gente aproveitou. Minha mão na tua, tua mão na minha, choro de felicidade. Tudo o que você me escutou dizer, tudo o que você me ajudou a superar. Dormir de conchinha, na cama, ou em qualquer lugar. O nosso jeito, tão único e diferente. A gente era isso. A gente não era o comum, a gente era mais. É uma pena que a gente acabou, porque a gente não existe sem a gente. A gente… eu sempre vou sentir falta da gente. Mesmo que você não sinta. 

30 thousand million pieces of a broken heart

Finalmente descobri que não preciso de ninguém. A solidão pode me incomodar, mas foi sozinha que realizei tudo o que sempre quis. Eu tenho em mim uma força que eu não sabia que tinha, mas olhando para trás eu sei tudo o que eu já superei. O que é essa dor perto de tudo o que eu já enfrentei? O que é essa dor perto de todas as outras dores que eu já senti? Dor da saudade infinita, dor da perda eterna, dor do desespero… O que é isso perto de tudo o que eu ainda posso ter? Isso não é nada, e a perda dessa vez não é minha. É dele. Foi ele que perdeu um grande amor, foi ele que perdeu uma grande pessoa. Foi ele que não soube me segurar, foi ele que me deu pouco, foi ele que não foi suficiente. Talvez a maior parte do medo que sinto de ficar sozinha é por eu saber que não é qualquer um capaz de me ter e me merecer. O meu amor assusta, porque eu sempre me entrego completamente. E tudo bem me entregar, é o meu jeito de amar, é o meu jeito de ser. Algumas pessoas dão valor, outras não. Algumas pessoas desejam esse amor, imploram por esse amor, outras jogam fora porque não sabem lidar, não sabem retribuir. E quantos desses eu ainda vou encontrar… quanto do meu amor ainda vai ser jogado fora, quantas vezes alguém vai me machucar, partir meu coração…? Tantas, tantas. E eu vou transformar toda essa dor em amor. Amor por mim. Eu mais do que ninguém mereço isso. E quem sabe um dia eu finalmente encontre alguém que não vai jogar nada fora. Quem sabe um dia alguém vai saber amar como eu sei, e eu não vou mais precisar que alguém me complete. Será apenas um complemento.
O que é essa dor perto do que eu sou? Eu sou muito mais que essa dor. Eu sou muito mais que um coração partido. Eu sou alguém que ama, e tem maior virtude do que essa? Eu tenho a maior determinação que eu já vi alguém ter. E por mais que às vezes me dê vontade de desistir, eu sei que eu vou continuar. Continuar até não dar mais, até que não haja um só suspiro de vida e esperança. O tempo apaga a saudade, apaga a falta. O tempo também apaga a dor. E o tempo sempre foi o meu melhor amigo. Eu vou ser o que eu sempre quis ser, vou fazer o que eu tiver vontade, e nunca mais ninguém vai ficar acima de mim.
Ta aí o que você perdeu. Já eu, eu não perdi nada.

De novo e de novo

Cheguei a pensar que tudo isso jamais voltaria a tomar conta de mim. Achei que era passado, esquecido, apagado… achei que eu havia me curado da minha própria escuridão. Mas isso nunca vai realmente passar, não é? Faz parte de mim. De quem eu sou. E mesmo que às vezes pareça possível puxar isso para longe, não é possível fazer ir embora para sempre. A gente esconde. Esconde no mais profundo da alma. Esconde por um tempo, tempo necessário para nos fazer acreditar que está tudo bem. Mas no fim do dia, sempre volta. Aos poucos, em pequenos atos, em pequenos sentimentos, em grandes medos… volta para onde nunca saiu, para onde nunca sairá. Talvez haja algum tipo de tratamento, talvez eu só precise estar em constante mudança, assim não tenho tempo de me acostumar demais e deixar transparecer. Ou talvez não seja uma luta em que eu preciso vencer. Não há vitória a ser conquistada, só uma parte de mim que preciso aceitar.
Foi assim que começou da última vez. Primeiro os dias bonitos, os sorrisos, a palpitação e todo aquele entusiasmo, que me fazia ser só mais uma menina qualquer. E então, aos poucos, eu fui me perdendo. Eu fui me afastando, e eu nem sabia o porquê. Ainda não sei, acho que nunca saberei. E depois de muito tempo, me encontro aqui escrevendo enquanto amanhece. A vida lá fora está de novo um tanto louca, e há tantos fios soltos precisando de concerto, que nem me preocupo mais em contar. Só penso que já é domingo. Que estou sozinha, e que provavelmente assim ficarei. Mas aqui vai a descoberta mais importante do dia: eu voltei. Nunca fui embora.

Metamorfose ambulante

Nem me lembro qual foi a última vez que eu escrevi algo. É meio triste pensar que deixei de lado muitas das coisas que compunham a minha personalidade… o que isso faz de mim? Incompleta? Não sei. Tanta coisa aconteceu esse ano e eu acho que posso dizer que não sou a mesma pessoa de antes. Na verdade, eu mudei demais. Sinto falta de ser aquela menina intensa, com um milhão de sentimentos, com um milhão de tormentos, com um milhão de textos, cartas e livros. Mas também gosto de ser mais feliz, de ser normal. Tem gente que não acredita, mas eu não sei mais escrever. Fico lendo meus textos antigos e juro que não entendo como eu conseguia transformar os sentimentos mais tristes em frases tão bonitas e delicadas. Quem era aquela menina? Seria a verdadeira eu, ou será que a verdadeira eu sou eu agora?
Resolvi só dizer que estou viva, já que o ano tá acabando. Não tenho mágoas para expor, não tenho amores para chorar… eu estou bem. Eu estou mudando… feliz 2013 para vocês!

And I miss you so bad…

Há tantas coisas que eu queria te dizer, tantas coisas que eu queria te mostrar, mas eu sei que no fim eu vou manter tudo isso apenas dentro de mim, como de costume. Você foi o único que conseguia me fazer falar, me fazer expressar todos esses sentimentos que hoje – e antes de te conhecer – eu só conseguia expor no papel, escrevendo. Era tão bom poder deixá-los ir, deixar minha própria voz moldá-los e te ter do lado para escutar, para entender. Porque você sempre entendia. Hoje eu me sinto só de novo. Não importa quantas pessoas estejam a minha volta, ainda existe esse vazio insuportável que grita por ti e por todos os momentos que eu não consigo esquecer nem viver de novo. E tudo me lembra você. Cada coisa que eu faço, cada coisa que eu vejo, cada coisa que eu escuto… você tomou conta de mim completamente, e eu não consigo te deixar ir, porque se você for, partes de mim também se vão. Partes de mim já se foram. O tempo as arranca uma por uma, e toda vez que as feridas começam a cicatrizar, você me atinge em cheio mais uma vez. Acabo aqui, sozinha, com o meu silêncio. Com o seu silêncio. O seu silêncio que eu nunca tive antes e nunca achei que iria ter um dia, afinal, aquela música não era para você. A sua música falava sobre amor, sobre fins de tarde, sobre as coisas mais lindas e fortes do mundo. Falava sobre ir embora, sobre dizer adeus, mas não adeus definitivo: o pôr-do-sol sempre voltava. Agora parece que os dias de chuva vieram para ficar, com essas nuvens cinzas não tem pôr-do-sol. Não sei mais por quantas vezes irei chorar, planejar, sonhar, mentir para mim mesma. Não sei por quanto tempo mais irei acreditar, também não sei até que ponto posso ser forte e superar todas essas pancadas de dúvidas, de saudade. Acho que um dia vou cansar de juntar meus pedaços, vou desistir de confiar nas palavras. As tuas belas palavras… aquelas que eu esperei minha vida inteira para escutar, e que você me disse no meu ouvido, de madrugada, enquanto eu pegava no sono encostada no seu peito, escutando seu coração. Aquilo tudo foi tão lindo, nós éramos lindos. Ou como diz aquela música, “We sure are cute for two ugly people”. Sim, essa canção inteira nos descreve! Você era amante parte do tempo e amigo em tempo integral, e eu não consigo ver isso em mais ninguém, a não ser você.
Sabe, quando eu penso no que a gente viveu, às vezes eu desejo poder mudar alguns detalhes para que no fim a gente pudesse ter tido mais tempos juntos. Mas aí eu me dou conta que, talvez, tudo foi tão perfeito porque durou o tempo exato que deveria ter durado. Nós nos entregamos porque sabíamos que era a nossa última chance. Talvez, se tivéssemos dividido o nosso amor por mais tempo, ele não seria puro como é hoje. Não seria como um filme, um conto de fadas. Não seria perfeito e incondicional. Seria cheio de dores, cheio de mágoas. De algum jeito fico feliz por a nossa única dor ser a distância, e não algo que tenhamos feito de errado um para outro.

E por fim, talvez, o nosso amor tenha existido para ser só isso: um pequeno pedaço de perfeição. Que começa e termina com um olhar apaixonado, mas impossível. 

Amor doentio

Reclamei da solidão, da falta de palavras doces. Reclamei do vazio, da mão deixada sozinha. Reclamei por nada me guardar, por nada me querer, e por eu não querer nada. Invejei os beijos, os abraços, as ligações, o amor… Invejei quem tinha alguém, quando eu não tinha ninguém. Juro que eu mesma não me entendo. Falo tanto de amor, quero tanto amar e ser amada, e quando acontece, eu só me afasto. Eu corro para longe, eu finjo não estar. Eu digo que ligo mais tarde, mas o mais tarde nunca vai chegar. Pra mim.
Eu odeio machucar, porque odeio ser machucada. Será mesmo que odeio ser machucada? Parece que eu gosto daquele que some, daquele que aparece só de vez em quando, daquele que não tá nem aí. Eu gosto dessa dúvida de amor, do desafio de conquistar todos os dias, mas quando o tenho em minhas mãos, não. Não, não, não. Perde a graça. Aí eu viro confusão, quero voltar pra minha solidão, mas sei que se eu perder… oh se eu perder eu vou querer de volta!
E depois de tanto reclamar, de tanto lamentar, de tanto implorar, ele chegou. Chegou do nada, de bem longe. Tão diferente, que não há descrição. Chegou dizendo que eu era doce, chegou falando dos meus olhos. Tocou meu cabelo, olhou os meus lábios. E um olhar tão incomum, que eu nunca recebi. E ele abraçava como um abraço deve ser. E ele dizia o que qualquer menina gostaria de ouvir. E eu sorria… sorria como se estivesse feliz. Eu estava, acho. Mas quando percebi que em dois dias virei seu mundo, meu próprio mundo caiu. Odeio ser o mundo de alguém, porque nunca ninguém foi o meu mundo. Eu odeio saber que posso fazer alguém sofrer, que posso fazer alguém chorar. Eu odeio que alguém me ame mais do que eu possa amar. E agora o que eu faço? Para onde eu corro, quem eu chamo… o que eu digo? Se qualquer palavra minha vai soar como canção de ninar aos seus ouvidos. Se qualquer movimento meu vai ser como uma dança perfeita, e os cabelos vão voar, seu coração vai bater descontrolado, o perfume que lhe faz suspirar… ah, suspiros loucos. De um amor doentio. Tudo o que pedi, eu só não queria alguém doente de amor. Porque cura para isso, só um coração partido.
E eu odeio. Odeio partir corações.