É mais amor do que o mundo precisa

Eu sempre amei o amor. Sempre achei que era a solução de tudo, que o mundo todo precisava amar mais. Conheci o amor muito pequena, nem sabia escrever mas já sabia amar. Não aquele amor fraterno, nem amor de amigo, era amor amor mesmo. Um pedacinho de gente já loucamente apaixonada, se entregando, sofrendo, chorando, sentindo ciumes… de que outro jeito poderia ser depois de crescida? E aqui estou, como previsto. Nem sei porque tem que ser assim comigo, não sei porque precisa ser tão intenso, não sei porque eu preciso amar tanto. Às vezes eu só queria amar menos. Que fácil deve ser não se preocupar com nada, não sentir medo de perder, não sentir medo nenhum. Que fácil deve ser não se importar, só levar a vida desse jeitinho aí que eu vejo tanta gente levar. Pessoas que amam alguém na terça, mas já estão com outra no domingo. E ainda acham que levou tempo demais. Ah como eu queria que amor nenhum me fizesse chorar, sentir dor. Eu queria absorver só a parte boa, ser feliz o tempo todo. Mas não, comigo tem que ser diferente. Deve ter algum motivo, alguma explicação. Eu pelo menos rezo para que tenha, porque passar por tudo isso em vão já é demais pra mim. Eu quero um dia poder encontrar a razão, quero poder pensar que poxa, agora tudo faz sentido, agora eu sei porque sou assim, porque sinto assim, porque não consigo simplesmente ser normal. E seja por uma boa razão, por favor. 

Fico pensando se algum dia isso vai passar. Se algum dia eu vou acordar, olhar para o cara do meu lado, e sentir com todo o meu coração que não tem nada lá fora que eu precise temer. Que eu nunca vou me magoar, que eu nunca vou me sentir insegura, que eu nunca vou me sentir sozinha. Que eu não vou precisar ter sempre ele do meu lado para saber disso, só vou saber. E que não irei mais sufocar ninguém, preocupar ninguém, cansar ninguém. Vou poder ser só a parte boa de mim. 

Deveria ser bom amar demais, não deveria? deveria ser bom ser amado por alguém como eu… mas é o que eu aprendi na escola, tudo em excesso faz mal. Então estou doando meu amor. Estou doando meu amor àqueles que não sabem amar, ou que precisam ser amados. Estou doando porque em mim esse amor não cabe mais. É mais amor do que o mundo precisa. É mais amor do que ele precisa. Não quero perder por amar muito. Porque é como eu aprendi na escola, às vezes menos é mais. 

If I lay here…

Hoje eu deito sozinha. Eu deito e abraço o vazio, sem reconhecer essas paredes em minha volta. Voltei pra escuridão, voltei pro abismo. Eu achei que faríamos tudo isso sozinhos, que não precisaríamos de ninguém, mas aqui estou eu e o outro lado da cama gelado, e o mundo esqueceu de mim. Todo o sol que você trouxe, foram as coisas mais lindas que eu já senti. Cadê o sol agora? ele se foi pra sempre. Nunca soube bem dizer como me sentia, aquelas três palavras nunca foram o bastante. E aquele jardim cheio de vida que um dia me mostrou, sou eu que estou morrendo agora. Morrendo de amor. Sempre soube que o amor doía, mas eu só queria uma morfina agora, fechar os olhos e aguentar o céu desabando em minha cabeça. Como eu queria gritar para você vir deitar comigo! Como eu queria esquecer essa dor, e lembrar de tudo de bom que você já me trouxe… mas eu não tenho voz. Não tenho energia. Te vi andar para longe junto com o meu coração, mas eu não pude ir atrás. Não dessa vez. Então eu vou deitar aqui, e vou esquecer do mundo. Eu vou esquecer de tudo. Porque hoje, eu já não sou mais nada. 

Fazia sol

Quente como os teus lábios, quente como os teus braços, muito mais quente que as tuas mãos. Brilhante como os teus olhos, radiante como o teu sorriso… fazia sol em novembro, naquela praça do primeiro beijo. Parecia só mais uma tarde qualquer, só mais um dia em que meu corpo se encontrava na terra, mas minha mente voava bem longe. As horas se arrastaram, você ali parado, esperando para ver se eu não ia fugir, desviar meu rosto de novo. Esperando pelo toque final, que concordamos não foi nada mágico. Aconteceu e a noite foi chegando. “Tchau, até mais”. Simples assim, naquela época. Escureceu, mas ainda fazia sol. Fazia sol dentro de mim. E foi assim nos próximos dias, nos próximos meses. Tanta tempestade a minha volta, mas minha alma estava ensolarada. Inédito na minha vida, ser tão fácil amar alguém. Ser tão fácil pensar em alguém, tão fácil querer alguém. Querer e ter, sem ser impossível, sem ser complicado. Bom, talvez um pouco complicado de vez em quando, mas tão descomplicado na maioria das vezes… Poderia descrever nós dois como a melodia de uma música. Tudo bem que essas nem sempre são tão fáceis e descomplicadas, mas para quem canta isso nem importa. A melodia sai sozinha, natural. Linda. A gente canta ela em total sintonia, em uma só voz, em uma só batida. Foi assim enquanto fazia sol. Hoje, já não sei se está nublado, chovendo ou caindo o mundo. Eu sinto você escorregando, tão perto, mas tão longe. A melodia se perdeu, eu acho, a música ficou triste. A minha alma quer chorar, ela sente frio. Mas eu não quero que você saiba o quanto ela sente a sua falta, porque você está aqui. E eu não quero insistir para você chegar mais perto. Eu não quero te dar demais, e temo que te dar de menos seja ainda pior. Não quero declarar o meu amor mais uma vez, porque se você estiver indo embora, ele vai ficar largado ali, molhado da chuva. Eu não quero te olhar e sentir que você não me vê, sentir que você não me quer. Por que eu te quero, tanto. E talvez, mais uma vez, eu esteja apenas confundindo tudo. Imaginando coisas. Só chega mais perto, diga que não vai fechar a porta quando sair. Diga que a música não acabou, mas não me peça para explicar porque o sol se foi. Só me prometa que ele vai voltar e que o meu abraço não vai ser vazio. Que o seu amor é igual ao meu, e que faz sol dentro de ti. Porque fazia sol, tu fazia o sol.

De novo e de novo

Cheguei a pensar que tudo isso jamais voltaria a tomar conta de mim. Achei que era passado, esquecido, apagado… achei que eu havia me curado da minha própria escuridão. Mas isso nunca vai realmente passar, não é? Faz parte de mim. De quem eu sou. E mesmo que às vezes pareça possível puxar isso para longe, não é possível fazer ir embora para sempre. A gente esconde. Esconde no mais profundo da alma. Esconde por um tempo, tempo necessário para nos fazer acreditar que está tudo bem. Mas no fim do dia, sempre volta. Aos poucos, em pequenos atos, em pequenos sentimentos, em grandes medos… volta para onde nunca saiu, para onde nunca sairá. Talvez haja algum tipo de tratamento, talvez eu só precise estar em constante mudança, assim não tenho tempo de me acostumar demais e deixar transparecer. Ou talvez não seja uma luta em que eu preciso vencer. Não há vitória a ser conquistada, só uma parte de mim que preciso aceitar.
Foi assim que começou da última vez. Primeiro os dias bonitos, os sorrisos, a palpitação e todo aquele entusiasmo, que me fazia ser só mais uma menina qualquer. E então, aos poucos, eu fui me perdendo. Eu fui me afastando, e eu nem sabia o porquê. Ainda não sei, acho que nunca saberei. E depois de muito tempo, me encontro aqui escrevendo enquanto amanhece. A vida lá fora está de novo um tanto louca, e há tantos fios soltos precisando de concerto, que nem me preocupo mais em contar. Só penso que já é domingo. Que estou sozinha, e que provavelmente assim ficarei. Mas aqui vai a descoberta mais importante do dia: eu voltei. Nunca fui embora.

And I miss you so bad…

Há tantas coisas que eu queria te dizer, tantas coisas que eu queria te mostrar, mas eu sei que no fim eu vou manter tudo isso apenas dentro de mim, como de costume. Você foi o único que conseguia me fazer falar, me fazer expressar todos esses sentimentos que hoje – e antes de te conhecer – eu só conseguia expor no papel, escrevendo. Era tão bom poder deixá-los ir, deixar minha própria voz moldá-los e te ter do lado para escutar, para entender. Porque você sempre entendia. Hoje eu me sinto só de novo. Não importa quantas pessoas estejam a minha volta, ainda existe esse vazio insuportável que grita por ti e por todos os momentos que eu não consigo esquecer nem viver de novo. E tudo me lembra você. Cada coisa que eu faço, cada coisa que eu vejo, cada coisa que eu escuto… você tomou conta de mim completamente, e eu não consigo te deixar ir, porque se você for, partes de mim também se vão. Partes de mim já se foram. O tempo as arranca uma por uma, e toda vez que as feridas começam a cicatrizar, você me atinge em cheio mais uma vez. Acabo aqui, sozinha, com o meu silêncio. Com o seu silêncio. O seu silêncio que eu nunca tive antes e nunca achei que iria ter um dia, afinal, aquela música não era para você. A sua música falava sobre amor, sobre fins de tarde, sobre as coisas mais lindas e fortes do mundo. Falava sobre ir embora, sobre dizer adeus, mas não adeus definitivo: o pôr-do-sol sempre voltava. Agora parece que os dias de chuva vieram para ficar, com essas nuvens cinzas não tem pôr-do-sol. Não sei mais por quantas vezes irei chorar, planejar, sonhar, mentir para mim mesma. Não sei por quanto tempo mais irei acreditar, também não sei até que ponto posso ser forte e superar todas essas pancadas de dúvidas, de saudade. Acho que um dia vou cansar de juntar meus pedaços, vou desistir de confiar nas palavras. As tuas belas palavras… aquelas que eu esperei minha vida inteira para escutar, e que você me disse no meu ouvido, de madrugada, enquanto eu pegava no sono encostada no seu peito, escutando seu coração. Aquilo tudo foi tão lindo, nós éramos lindos. Ou como diz aquela música, “We sure are cute for two ugly people”. Sim, essa canção inteira nos descreve! Você era amante parte do tempo e amigo em tempo integral, e eu não consigo ver isso em mais ninguém, a não ser você.
Sabe, quando eu penso no que a gente viveu, às vezes eu desejo poder mudar alguns detalhes para que no fim a gente pudesse ter tido mais tempos juntos. Mas aí eu me dou conta que, talvez, tudo foi tão perfeito porque durou o tempo exato que deveria ter durado. Nós nos entregamos porque sabíamos que era a nossa última chance. Talvez, se tivéssemos dividido o nosso amor por mais tempo, ele não seria puro como é hoje. Não seria como um filme, um conto de fadas. Não seria perfeito e incondicional. Seria cheio de dores, cheio de mágoas. De algum jeito fico feliz por a nossa única dor ser a distância, e não algo que tenhamos feito de errado um para outro.

E por fim, talvez, o nosso amor tenha existido para ser só isso: um pequeno pedaço de perfeição. Que começa e termina com um olhar apaixonado, mas impossível. 

How to love

Suor misturado a lágrimas: gota solitária que escorre pelo rosto. Solitária está também a sua mão, sem nada para segurar. Sem ninguém para se apoiar. Um caminho silencioso até o breu, arfando medo, desespero.
Estou triste. Triste por não poder amar. Ninguém mais está amando. Eu vejo o por do sol sozinha, vejo o trem ir e vir, sinto o tempo passar. Minha pele envelhece. Todas aquelas pessoas que um dia eu sorri ao lembrar se foram, e não há mais nada aqui. Estão todos se partindo, todos dizendo adeus, todos lutando para se libertar de uma corrente que não é do mal. E há aqueles que esquecem. Apenas esquecem. Há cartas não respondidas, há mensagens nunca lidas, há palavras nunca ditas. Há silêncio. Silêncio de quem não acredita, silêncio de quem sente medo de falar, silêncio dos que desistiram, e silêncio. Silêncio do próprio coração que não bate, não chora, não morre por ninguém.
Você não deveria fugir, você não deveria deixar ir. Você não deveria se calar, chorar escondido. Você não deveria machucar, não deveria ser mortal. Amor, você deveria ser para sempre.
Mas todos esqueceram como se ama.

Flor de Magnolia

Havia muita neblina lá, daquelas que te cega o caminho, te cega o rumo. Eu corria. Corria com os pés cortando os cacos, com o ar faltando o pulmão, com as mãos congelando o frio, com os cabelos espalhando o vento… Eu corria. Corria de nada, aparentemente, já que era o nada que me perseguia. E aquela noite parecia cada vez mais noite, quando o escuro não pode nem nos acender a alma. Apagão.
O peito sentia o medo de uma vida inteira, mas martelava para que eu continuasse. Não, eu não podia parar agora. Corre! Continue! Não tenha medo! Solidão. E as pernas que formigavam o sangue parado, e os olhos que procuravam outros olhos, e a boca que secava os restos de antigos beijos. E o coração, que deveria palpitar loucamente enquanto o esforço de correr me era obrigatório, estava mudo. Talvez não mudo, pois ainda chamava por alguém. Vários “alguéns”. Talvez só triste, talvez só sem ânimo para pulsar. Mas ao mesmo tempo que essa tristeza o calava, algo o fazia se excitar. Estava animado outra vez, de repente. Animado para a descoberta de uma saída.
O gelo, que antes me cobria o corpo, derreteu com cada raio de sol que foi aparecendo, como se o céu fosse um pano com furos, e os raios virassem feixes de luz. Tudo tão novo, tudo tão quente. E o medo de uma estrada deixada para trás, e o medo de uma estrada que vinha logo a frente. E o medo de perder aqueles que ficaram, e o medo… o medo de algo dar errado.
Mas sorri. Sorri porque o medo não podia levar embora a felicidade por encontrar tanta luz, depois de tanta escuridão.

Hoje é o dia. Talvez o mais esperado em anos, talvez o mais feliz e ao mesmo tempo doloroso. Talvez, talvez, talvez… minha cabeça agora é feita de “talvezes”. Hoje me despedirei das pessoas que mais amo no mundo inteiro. Ontem me despedi das melhores pessoas que já conheci. Tantos tchaus, que até esqueço quantos oi’s virão agora. Oi não, Hi.
Deixo tudo isso com uma tristezinha, mas recebo minha nova vida com muita felicidade. Afinal, estou realizando um sonho. E isso não acontece todos os dias.
Vejo você no ano que vem, Brasil!