O filme “Lembranças”, do diretor Allen Coulter

Já faz algum tempo que terminei de ver o filme, desliguei as luzes da sala e o dvd. Mas eu ainda estou chorando. Talvez seja eu o problema – sempre choro vendo filmes, lendo livros… porque pra mim, livros e filmes são sim reais. Ou talvez não. Talvez esse filme emocione a todos, ou quase todos. A única coisa que eu sei é que o sentimento que eu senti durante todo o filme e estou sentindo agora não tem nome. Eu realmente não sei do que chamá-lo. Não sei se é bom ou se é ruim, só é estranho. A minha vontade é fazer o que eu tanto digo ter preguiça: viver. Mesmo sabendo que pode não mudar nada, que eu posso continuar com a minha preguiça e indisposição para a vida, depois de ver esse filme, minha vontade é de acordar todos os dias antes do sol nascer e aproveitar cada hora, cada minuto e cada segundo. Parece clichê, mas não é. Estou me perguntando por que desperdiçamos tanto tempo. Por que brigo com as pessoas que eu amo, por que reclamo de tudo que tenho?

Por que eu não peço a sobremesa antes do prato principal?

Talvez você não precise ver um filme como esse para pensar sobre o que você é, ou o que você faz. Talvez você ache que é só mais um filme para fazer as pessoas chorarem. E até pode ser, mas com intenção ou não, não são só lágrimas que você deixa cair. Há uma coisa bem lá no fundo. Não sei se no fundo do coração, ou da alma. Não sei. Não importa de que lugar vem, mas o modo como ele chega. Eu não posso explicar. Não posso nomear isso com uma mera palavra. É tão grande, tão diferente de tudo… eu só consigo pensar que  tempo não é nada. Ele pode dizer que já passaram horas, meses e anos, mas a real sensação é de que ainda estamos no primeiro segundo do relógio. E tudo se vai nos segundos seguintes. Não, não existe o Para Sempre nesse relógio.

Pense em como seria perder alguém que você prometeu amar para sempre em um segundo. Pense em como será quando todos já tiverem partido, menos você. Pense na solidão. Pense no escuro. Sinta saudade, sinta a falta. Pense em tudo que você queria ter dito e não disse. Pense nos sonhos que você não realizou. Pense nos anos que passaram e nos anos que virão. Pense no tempo que irá te engolir, e desça goela abaixo.

Agora pense em fazer tudo o que você quiser em um segundo. Porque esse é o tempo que você tem.

A vida dura o segundo da batida do seu coração. As lembranças duram a batida do coração dos outros. Eu não sei se você vai gostar do filme. Não sei se você vai chorar, rir… não sei o que você vai sentir. Mas se você tiver a oportunidade, assista. Assista não só esse filme como todos os outros que você quer assistir. Beije todos os lábios que você quer beijar, abrace todas as pessoas que quer abraçar. Diga tudo aquilo que vier na mente. Se apaixone, se decepcione, dê risada, engorde, emagreça. Brinque, xingue, lute, pule, cante, escreva, leia, veja, sinta. Viva. Só tem lembranças aquele que já viveu algo importante de lembrar.

PS: não subestime os atores do filme. O Edward Cullen não está no elenco; Robert Pattinson é que está.