And I miss you so bad…

Há tantas coisas que eu queria te dizer, tantas coisas que eu queria te mostrar, mas eu sei que no fim eu vou manter tudo isso apenas dentro de mim, como de costume. Você foi o único que conseguia me fazer falar, me fazer expressar todos esses sentimentos que hoje – e antes de te conhecer – eu só conseguia expor no papel, escrevendo. Era tão bom poder deixá-los ir, deixar minha própria voz moldá-los e te ter do lado para escutar, para entender. Porque você sempre entendia. Hoje eu me sinto só de novo. Não importa quantas pessoas estejam a minha volta, ainda existe esse vazio insuportável que grita por ti e por todos os momentos que eu não consigo esquecer nem viver de novo. E tudo me lembra você. Cada coisa que eu faço, cada coisa que eu vejo, cada coisa que eu escuto… você tomou conta de mim completamente, e eu não consigo te deixar ir, porque se você for, partes de mim também se vão. Partes de mim já se foram. O tempo as arranca uma por uma, e toda vez que as feridas começam a cicatrizar, você me atinge em cheio mais uma vez. Acabo aqui, sozinha, com o meu silêncio. Com o seu silêncio. O seu silêncio que eu nunca tive antes e nunca achei que iria ter um dia, afinal, aquela música não era para você. A sua música falava sobre amor, sobre fins de tarde, sobre as coisas mais lindas e fortes do mundo. Falava sobre ir embora, sobre dizer adeus, mas não adeus definitivo: o pôr-do-sol sempre voltava. Agora parece que os dias de chuva vieram para ficar, com essas nuvens cinzas não tem pôr-do-sol. Não sei mais por quantas vezes irei chorar, planejar, sonhar, mentir para mim mesma. Não sei por quanto tempo mais irei acreditar, também não sei até que ponto posso ser forte e superar todas essas pancadas de dúvidas, de saudade. Acho que um dia vou cansar de juntar meus pedaços, vou desistir de confiar nas palavras. As tuas belas palavras… aquelas que eu esperei minha vida inteira para escutar, e que você me disse no meu ouvido, de madrugada, enquanto eu pegava no sono encostada no seu peito, escutando seu coração. Aquilo tudo foi tão lindo, nós éramos lindos. Ou como diz aquela música, “We sure are cute for two ugly people”. Sim, essa canção inteira nos descreve! Você era amante parte do tempo e amigo em tempo integral, e eu não consigo ver isso em mais ninguém, a não ser você.
Sabe, quando eu penso no que a gente viveu, às vezes eu desejo poder mudar alguns detalhes para que no fim a gente pudesse ter tido mais tempos juntos. Mas aí eu me dou conta que, talvez, tudo foi tão perfeito porque durou o tempo exato que deveria ter durado. Nós nos entregamos porque sabíamos que era a nossa última chance. Talvez, se tivéssemos dividido o nosso amor por mais tempo, ele não seria puro como é hoje. Não seria como um filme, um conto de fadas. Não seria perfeito e incondicional. Seria cheio de dores, cheio de mágoas. De algum jeito fico feliz por a nossa única dor ser a distância, e não algo que tenhamos feito de errado um para outro.

E por fim, talvez, o nosso amor tenha existido para ser só isso: um pequeno pedaço de perfeição. Que começa e termina com um olhar apaixonado, mas impossível. 

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O dos chinelos encardidos

Terças-feiras, Rua Marechal Guilherme, aproximadamente 16h20.

Venho arfando, agarrada em minha bolsa beje manchada. Quase sempre a mesma roupa, quase sempre o mesmo ritmo e sempre o mesmo dia. De vez em quando mudo a expressão, mas é comum que eu esteja desmontada, com o cabelo desarranjado e o sorriso desfeito. Caminho rápido – às vezes para escapar do sol, às vezes para fugir do vento. Os que passam por mim nunca são os mesmos da semana passada. Tem o vendedor de livros, que está sempre em seu posto, mas confesso que nem reparo se o que muda são os livros ou ele, só não me parece rotineiro vê-lo, mesmo que esteja ali quando passo. O caso, é que não é em sua imagem que meus olhos pousam ao passar. Não. É em um tal senhor logo atrás, aquele da barba longa, da pele escura (hora por sol, hora por sujeira). Àquele que dirijo esses escritos, sem nem fazer ideia se ele sabe ler. Chega de usar a terceira pessoa. Vou te chamar de Ângelo – de algum jeito tu me faz te imaginar com asas e uma auréola, acho então que um nome apropriado para ti seria algo bem angelical… Bom Ângelo, nem sei bem porque te escrevo, ou porque teus chinelos encardidos me chamaram a atenção, mas sinto vontade de cantar pra ti toda vez que te vejo ao passar. Acho que eu escolheria uma música dos Titãs, aliás, é a que eu estou ouvindo agora. “Quando não houver esperança, quando não restar nem ilusão, ainda há de haver esperança em cada um de nós, algo de uma criança…” Algo de uma criança há na maneira como você sorri, olhando para o nada. Talvez não o nada em teus olhos, talvez uma cachacinha em tua mente, talvez uma mulher bonita… não sei, Ângelo. Acho que teus trapinhos e teu chinelo colado com fita adesiva me fazem querer uma esperança. E então vou sempre te procurar ao passar, nem que seja por cinco segundos, porque parece que, enquanto você estiver ali, ainda há de haver sol (mesmo nesse frio que deve congelar tua calçada!)

No mais, espero te encontrar amanhã, no lugar de sempre, na hora de sempre. Mendigo da Rua Marechal Guilherme, ou Ângelo – para os íntimos.

Atualização 05/07: Quase que não te vejo hoje. Passei com pressa para escapar do frio. Te procurei no lugar de sempre, mas não estavas. Sorte que fui olhar na escada: tava tu la, com meias e uma touquinha. Que bom que alguém deu agasalho ao anjo…

música do dia

The last one

Querido Sem Nome,

Finalmente não sinto mais frio de solidão. Finalmente não sinto mais frio de saudade. Foi assim, meio que de uma hora pra outra, que o Vento deixou de ser Vento e se tornou apenas vento. Aquele, comum, que balança os cabelos, as árvores, que faz sim frio, mas aquele frio de bater os dentes, não de bater o coração. Não sei o que aconteceu, semana passada eu ainda me sentia sem minha metade. Só que hoje não. Hoje estou inteira, pela primeira vez em muito tempo.
Na verdade, no fundo, bem no fundinho mesmo, eu sei o que aconteceu. Eu sei que tudo aquilo que eu vinha sentindo nos últimos meses não era por ti, e sim pela falta que tu fazias. Sim, parece confuso, mas me dei conta que quando chegaste, preencheste um lugar muito grande em mim, e quando o desocupou de repente, aquele espaço aquecido, moldado, foi secando por falta de preenchimento. Não que tu tenhas sido só isso, preenchimento. Não. O que digo é que aquilo que sentíamos um pelo outro acabou mais cedo e mais rápido do que todo o resto. No fim, só os últimos vestígios de ti tinham sobrado, e quando até os últimos vestígios se foram, teu lugar ficou vazio, murchou. Sentiu falta do calor que o preenchia, e eu confundi tudo. Com toda essa falta, com todo esse lugar vazio, olhava para ti achando que teu molde seria o único que caberia ali. Olhava para ti e mesmo vendo que a pessoa de quem eu sentia falta não era aquela, eu continua insistindo que era, porque você já foi. Já foi, mas não é mais.
Imagine, se o que escrevo te parece sem sentido, pense em como minha cabeça estava com tudo isso. Ela voava, ela viajava, ela gritava, ela pirava. Uma confusão tão grande que até me bloqueava para meus textos e minhas músicas. Precisei te olhar da forma certa para finalmente me dar conta do quanto enganada eu estava. Você é bom, você foi bom. Nunca neguei e nunca vou negar isso. Mas acabou e faz tempo e agora sinto isso de verdade. E sabe o que mais? não dói. Não dói mais te ver. Não dói mais te olhar. Não dói mais lembrar. Nada mais dói. Nada mais faz falta, teu molde já não cabe.
Ainda me sinto agradecida, porque assumo que fui feliz contigo. Só não choro mais, só não corro mais. Acho que tudo o que tinha que acontecer com a gente, aconteceu do jeito certo. Tu foste uma fase, que passou, assim como vento. Vento comum mesmo, vento daquele de verão, que refresca mas não congela.
Pra ti, que já dei tantos nomes, hoje está sem assinatura. Hoje é só alguém que quero o bem. Alguém sem um nome que eu possa chamar. É só alguém…

Ainda vai levar um tempo
Pra fechar
O que feriu por dentro
Natural que seja assim
Tanto pra você
Quanto pra mim…
Ainda leva uma cara
Pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga
E sem vontade…
Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim
Não imagine que te quero mal
Apenas não te quero mais…

Minha Alice no País das Maravilhas

A japinha de rosa. É assim que me lembro de vê-la pela primeira vez, no canto da sala de aula. Na época eu era um pouco mais estranha do que sou hoje – vestia allstar preto até o joelho e uma saia jeans pregada… – e acho que a assustei um pouco. Precisei do tempo para me mostrar o que os olhinhos puxados escondiam no seu interior, na alma feita de pontinhos dourados. Anos passando, a japinha mudando, se moldando. Virou tipo borboleta, mas daquelas brilhosas que vivem três dias de muita história. Ah, como é bonito olhar por dentro dessas suas asas! Borboletinha que me lembra desenhos animados, filmes da disney, infância, algodão doce. Borboletinha que me leva até o melhor de cada dia, me leva até a parte colorida, de fantasia. Gosto de fantasiar, você que me ensinou.
Uma vez pensei que a Borboletinha não devia voar tão alto, que não devia tentar ir até o País das Maravilhas, como Alice. Mas Borboletinha voou. Passou pelo País das Maravilhas e não ficou para o chá, porque resolveu criar seu próprio país, muito mais maravilhoso que aquele lá! Danada essa Borboletinha…
Mas quer saber? não vou te mandar crescer! Seja exatamente desse jeitinhos que és, com todos os sonhos doces, com toda a sua vontade de comer pipoca, com toda essa criatividade que na verdade tem nome de Sua Alma, porque contigo tudo funciona meio que ao contrário, e é assim que é bom. É assim que é lindo. Você é linda, Borboletinha. Nunca pare de tirar esses pedacinhos de alma e espalhar pelo mundo porque faz bem pra quem vê aqui de fora esse seu país. Mude seu estilo, seu cabelo, mas nunca mude esses olhinhos, porque eles são a entrada para um céu que eu adorei conhecer.
Sabe que é muito bom te ver voar, Borboletinha? E eu desejo que o vento de purpurina te leve cada vez mais alto, para que todos possam ver um pouquinho de ti.
Amanhã é tipo a sua nova metamorfose: de borboleta vai virar estrela. Depois cometa, galáxia, universo e assim vai… Sem fim pra ti, Hapi.

E hoje as músicas que me embalam são as suas. Por que quem não quer uma estrela como melhor amiga?
Bom, seja estrela, borboleta, hamster, bonequinha ou japinha. Quero uma Carol como melhor amiga.

Carta 1

Querido Vento,
Mais uma vez não cumpri minha promessa. Descobri que não posso controlar o que escrevo, nem simplesmente escolher te deixar de fora de minhas linhas quando ainda estás tão presente em meu coração. Sei que soou clichê, mas não tenho outra forma de explicar o quão difícil é tentar esquecer de tudo. Enquanto tento focar meus poemas no sol de cada dia, sempre acaba impossível deixar de fora o quanto esse Vento é gelado. De repente, estou de volta ao começo. De volta a rimar teu nome – mesmo que entrelinhas – às palavras que quase sempre combinam com saudade.
Eu deveria estar dormindo agora, mas como bem sabes, prefiro o tarde que o cedo. Também não posso pregar os olhos sem te escrever mais uma carta, mesmo sabendo que nunca vais ler. Acho que não preciso que isso chegue aos teus olhos, só preciso pôr para fora esses sentimentos que venho tentando entender.
Sabe, sempre fui a favor do tempo. Sempre acreditei que ele pudesse curar tudo. Achei que iria ficar tudo bem quando a ficha caísse em mim, mas não ficou. E eu não entendo. Não entendo como o tempo pode estar passando ao contrário para mim. Como posso estar cada vez mais despedaçada, mesmo que as estações estejam passando tão rápido. Eu deveria sorrir com a chegada do inverno, pois foi no verão que tudo começou e terminou para nós. Mas não. O frio que me invade só me faz lembrar de ti, Vento. Porque é tu que está lá fazendo a janela tremer, fogueira apagar, minha boca secar. É tu, Vento. E por ser tu, minhas dúvidas só aumentam. Fico aqui me perguntando quanto mais vou ter que escrever e chorar, até que nada mais reste pra te falar. E não sei, juro que não sei. Pareço ter um ano de novidades para ti, um ano de beijos guardados, um ano de abraços apertados, um ano de todas aquelas lembranças que não consigo apagar porque qualquer casal que passar por mim, ou qualquer filme que eu assistir, ou qualquer música que eu escutar, sempre vão me fazer lembrar. O que mais dói, é saber que sou a única que lembra. A única que passa perto dos banquinhos da lagoa e lembra. A única que sente o cheiro e lembra. A única que vê a lua e lembra. Lembra de tudo, como se nada tivesse ido embora.
Quero saber Vento, até quando vou lembrar. Porque cansei de esconder meu rosto entre os braços, cansei de procurar teu rosto em todos que passam por mim. Cansei de saber que gosto daquele que criei em minha mente e não daquele que realmente existe, e mesmo cansada de saber, ainda torço para que minha imaginação se torne real um dia.
Se eu pudesse te mandar uma mensagem de texto agora, deveria ter minha própria mente como destinatário, mas é claro que vou insistir em procurar teu número. É claro que vou insistir em escrever que te amo. É claro que no fim vou apagar tudo.
E é claro que vou acabar aqui escrevendo mais uma carta sem realmente te enviar, porque no fundo não quero que leias. No fundo, desisti de voar. Desisti de sentir frio. Desisti de tentar. Só quero que vá embora, Vento. Só quero não ter que lembrar.
De tudo.

música do dia

O tempo que não passou inteiro

Isso deveria ser segredo. Deveria estar escondido bem no fundo da minha alma – e da minha mente – sem que nem eu mesma pudesse descobrir. Mas não está. Impossível fingir que não vejo significado algum em olhar para o calendário e me dar conta de que dia é hoje. Besteira da minha parte, não é? Ficar lembrando e remoendo tantos momentos que pra mim significaram tudo. É tão fácil falar tantas coisas, dizer que o que passou, passou. Mas de vez em quando ainda mexe com minha cabeça isso de pensar no que passamos, no que senti. Tem vezes que não consigo nem ao menos te olhar, porque dói te ver. Mas tem vezes também que está tudo bem, tua presença é só mais uma em meio a tantas. Acho que nunca entendi bem o que senti e sinto por ti – talvez por ser novidade, por ser de verdade… – mas hoje te vejo de longe e ao mesmo tempo que sinto saudade, não tenho vontade de te abraçar. Acho que por causa da tua expressão, que mudou tanto pra mim.
Um ano atrás, quando eu olhava pra ti, via a pessoa mais feliz e radiante do mundo inteiro. Hoje, quando te olho, parece que tudo morreu, que as folhas secaram. Teu sorriso não é mais o mesmo, e eu sei porque. Eu sei, que na verdade, quem mudou fui eu, não teu sorriso. Eu que agora enxergo tudo sem a doçura de amar, eu que agora despistei o encanto do passado. Eu que me dei conta de que, ao redor dos meus olhos, havia muita fumaça. Fumaça rosa, fumaça de sonhos. E sem a neblina colorida posso finalmente ver a real cor dos teus olhos. Posso ver também, o sentimento que agora aloja em teu peito em relação a mim – posso estar enganada, mas me parece que virei nada. Nada para o que eu era antes, nada para aquela que te embalava.
Enfim, não te julgo. Não te peço para ser teu tudo. Não quero nem que saibas o que sinto, nem que leias o que escrevo. Mas é que preciso escrever de vez em quando, pra dar uma amenizada nessa confusão toda. Não tenho vergonha de não ser correspondida, de ser a tolinha que ainda pensa em ti enquanto todo o resto seguiu em frente. Bom, também segui, mas não é da minha personalidade esquecer rápido assim. Não tenho um botão de “delete” em minha vida, mesmo que eu quisesse.
Hoje será a última vez que sofrerei em silêncio. Será a última vez que você preencherá minhas linhas, e será a última vez que deixarei meus sentimentos por ti falarem mais alto que minha consciência. Eu sei que você nunca voltará, e isso é tudo o que eu preciso para te esquecer de uma vez. Depois de hoje, esquecerei o presente com tua presença e guardarei só as antigas lembranças. E quando eu for lembrar da noite em que as estrelas eram maiores que qualquer planeta no sistema solar, e que eu estava em teus braços te ouvindo perguntares se eu queria ser só tua, não vou escrever um texto triste qualquer. Só vou imaginar onde e como tu estarás, e se lembrarás também de tudo o que eu lembrarei.

There was only one thing,
to do, three words, for you… I loved you.
There was only one way, to say those three words,
That’s what I did. I loved you.

Uma carta nunca entregue.

Vento,
Faz sol lá fora. Mesmo com todas essas correntes que me prendem aos pés da cama, posso ver por cada fresta da veneziana, que hoje o céu está sorrindo, como quem convida pr’uma dança daquelas belas e singelas sem medo de pisar no pé do companheiro. Quisera eu, soltar-me deste quarto, voar pelo mormaço e esquecer que um dia chorei por ti. Lágrimas malditas aquelas! Deixei escapar entre o meu e o teu silêncio desesperador, porque nada mais me saciava senão a vontade de te dizer logo de uma vez aquilo tudo que não me deixaste falar – ou será, que me esqueci de abrir a boca só para te olhar?
Mas, dói, sabia? Dói ser a vilã, dói ser a que não se encanta com aquelas palavras tão feitas de ti, Vento. Dói ser solidão em meio à tantas gargalhadas. Dói, poxa. Dói muito. E no fim, sei que entendes o que digo, porque também te machuquei oras. Alguma vez falei que meus espinhos foram-te inofensivos? Pelo contrário, sei que te fiz sangrar tanto quanto me fizeste passar frio. E mesmo congelada, ainda não fui pro forno me esquentar. Acontece que não vou queimar esse gelo que tanto te lembra, não vou expulsar da minha mente todas essas melodias que um dia dediquei a ti. Não. Não porque todo esse tempo presa aos pés da cama, aprendi que pro sol ultrapassar cada fresta da veneziana, precisei de muitos dias nublados até que finalmente alguma luz pudesse entrar. Parece que fui teus dias nublados, estou certa? Foste os meus também, mas não só eles, já que Vento se tem também no calor, moldando os raios solares, sacudindo cabelos perfumados, correndo folhas pelos calçadões… O que quero dizer, querido Vento, é que chorar às vezes faz bem. Errar, errar também faz bem. Sofrer? talvez sofrer faça bem. Tantos outros verbos se encaixariam, mas para mim resultam em um só, bem simples. Aprender. Aprender a viver, aprender a chorar, aprender a errar, aprender a sofrer. Aprender a amar. Como eu poderia derreter um gelo que tanto me fez aprender? Como eu poderia esnobar esse Vento, que por mais que já tenha passado, passou bem? Pelo menos para mim, isso tudo importa.
Se as correntes deste quarto vão soltar um dia e vou finalmente poder voar pelo mormaço, não sei, mas o que sei é que quando esse dia chegar, tu Vento, vai estar lá. Afinal, quem mais poderia me ensinar a voar?
Agora, te prender Vento? Jamais! Quero-te solto, e quero-me solta também. Estar por perto? só porque gosto de um refresco de vez em quando. Mas não te amo, se é disso que tens medo. Isso já passou, Vento. Passou junto contigo, feito vendaval.
Não gosto muito de Roberto Carlos, mas aquela conhecida música dele diz assim: “Sei tudo que o amor é capaz de me dar. Eu sei, já sofri, mas não deixo de amar. Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi…” Espero que entendas e este verso não saia voando perdido por aí.
Única coisa que faltou dizer, é que tenho sim os meus espinhos e posso sim espetar, machucar, mas como toda rosa, sou pisoteada. E dói, Vento. Dói muito. Só peço que não me jogue como as outras, não me arraste sem dó, não me apague dos jardins, porque te quero bem. E dói, Vento. Dói muito querer o bem, mas receber o mal.

E pra não dizer que não falei das flores, me transformei em uma daquelas que deste.