Disse um adeus definitivo

Deixa eu te contar, menina, que eu também chorava assim como você, com o rosto abafado no travesseiro, com as lágrimas molhando o lençol e com o responsável por elas dormindo ao meu lado. Tinha esse aperto constante no meu peito, que eu não sabia se era tristeza ou medo. Medo de perdê-lo. Talvez eu já soubesse que o havia perdido… a gente dividia a cama, mas não dividia os dias. Eu sentia falta dele todos os instantes, mas ele esquecia de me dizer boa noite, de contar o porquê de ter sumido a tarde inteira. Aos poucos eu sei que fui perdendo o meu espaço na vida dele, no coração dele, na cama dele, até que ele me esqueceu para sempre. Nem sei te dizer quantas vezes eu voltei para casa e ia chorar no banho de saudade, ou só de angústia. Nem sei te dizer quantas vezes procurei por ele em outros olhos e me quebrei por nunca achá-lo. Não sei te dizer quantas recaídas eu tive, de desejar voltar no tempo, de desejar ter tudo de novo. Até hoje eu falo dele para os outros, lembro dos nossos momentos com brilho nos olhos, mas também com uma dorzinha no peito – nem tudo foi lindo, nem tudo foi perfeito. Não sei te dizer, também, quando tudo isso passou. Se eu levantei um dia curada, ou se meu coração se juntou sozinho, mas de repente ele me parecia apenas um estranho. Todas as coisas que vivemos também pareciam estranhas. Eu era uma completa estranha. E em meio a todos esses estranhos, só uma coisa me parecia familiar: aquele adeus definitivo.

Então saiba, menina, que a vida é cheia desses. Que se teu coração já se sente às vezes sozinho, é porque alguém está indo embora. E no fim, todos irão. As pessoas não foram feitas para ficar, elas foram feitas para ir. Deixe ir. Porque de adeuses definitivos, surgem olás reconfortantes. Conhecidos se tornam estranhos, e estranhos se tornam conhecidos.

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One thought on “Disse um adeus definitivo

  1. J (: diz:

    “E no fim, todos irão. As pessoas não foram feitas para ficar, elas foram feitas para ir. Deixe ir.”

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