Já faz tempo

Já faz tempo e eu ainda me pergunto  o por quê de não ter te abraçado todas as vezes que eu pude, quando você ficava parado me olhando bravo e a gente ficava em silêncio com medo de falar. Já faz tempo e eu ainda me arrependo das brigas que insisti, do orgulho que guardei, da superioridade que fingi, de tudo aquilo que te fiz ou deixei de fazer. Você continua aqui mesmo sem estar, e sei lá, talvez seja assim para sempre. Todos os dias eu penso no que eu fui e no que eu poderia ter sido, e toda vez o fim é o mesmo. Aquele que a gente já conhece, que a gente já viveu milhões de vezes, e que eu viveria mais um bilhão se pudesse. Não consigo mudar o impacto que tu tem em mim, a dor que vem, a saudade que nunca sai, o riso frouxo, a dor de barriga, o bater enlouquecido do coração. Você é muito mais que sentimental, você é físico. E o mais louco é: teu físico não me pertence. Provavelmente teu sentimental também não. 

Mas eu ando por aqui, ainda te vendo em todos os lugares, ainda fazendo listas do que te dizer, ainda querendo um espaço em ti. Não penso na gente no futuro, sempre no passado, por isso acho que nunca mais vamos nos ter, mas revivo cada dia ao teu lado para nunca esquecer que eles foram os melhores. Já faz tempo, mas foi ontem. Foi ontem que te dei o último abraço.

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